CPV038 - Teddy Vieira - O Menino da Porteira

E a prosa de hoje é sobre uma música que foi gravada originalmente em 1955, é uma das obras caipiras mais conhecidas da história , foi regravada inúmeras vezes e virou até filme. To falando de O Menino da Porteira. Mas qual é a história por trás dessa música? Afinal de contas, ela é baseada em fatos ou não? Com tantos causos em torno dessa canção, vamos falar um pouco sobre como e por quem a música foi composta, sobre a história que ela conta e falar um pouco da trama do filme com o mesmo título. Vai assuntando...


Teddy Vieira


Teddy Vieira foi um dos ícones do gênero, que escreveu também outros clássicos, como "O Rei do Gado", "João de Barro", "Couro de Boi" e "Boiadeiro Errante". A figura de Teddy é pouco reconhecida na cidade em que ele nasceu.

Na década de 80, foi criado um festival em homenagem a Teddy, mas com o passar do tempo o evento abandonou a proposta de valorizar a chamada música de raiz e abriu espaço para a vertente romântica, de maior apelo comercial.

Teddy Vieira produziu mais de 300 canções, entre toadas, cururus e outros ritmos. O "Menino da Porteira", talvez a mais conhecida de suas criações, data da década de 50. Consta que teria sido composta quando Teddy ia para a casa da então namorada, América Rizzo, com quem se casaria depois. A moça morava em Andradas, no sul de Minas Gerais. A cidade ficava perto de Ouro Fino, cujo caminho Teddy percorria. Daí a surgirem os versos "Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino...", não demorou tanto tempo.


Teddy Vieira tinha na camaradagem outro traço marcante de sua personalidade. Embora tivesse assinado muitas composições em parceria, é certo que em várias delas teria admitido a co-autoria para ajudar um ou outro amigo. Diretor artístico das gravadoras Chantecler e Continental, Vieira apadrinhou inúmeros artistas. Tem composições gravadas por duplas famosas como Tonico e Tinoco, Liu e Léu, Vieira e Vierinha, e Sérgio Reis, entre outros.

Teddy não cantava, mas acompanhava os amigos em shows realizados pelo interior. Foi na volta de uma dessas apresentações, em dezembro de 1965, que ele morreu de maneira trágica. No Sinca Chambord que comprara há pouco tempo, seguia pela Raposo Tavares quando, na altura do quilômetro 139, em Sarapuí, tentou ultrapassar um ônibus. Em sentido contrário, seguia um caminhão que não evitou o choque.

Estavam no veículo, além de Teddy Vieira, os Irmãos Divino, o empresário Paulo Marquez, a esposa e filho deste e mais um produtor. Ninguém sobreviveu ao acidente.


O músico e compositor ganhou uma estátua após 50 anos de morte. O monumento foi instalado na Praça Largo dos Amores, no Centro de Itapetininga. Na entrada da cidade de Ouro Fino, MG, construíram um monumento ao compositor, composto de três partes, O Menino da Porteira, o Boi Sem Coração e o Berrante.





O Menino da Porteira


O Menino da Porteira é um cururu que foi composto por Teddy Vieira e Luis Raimundo e gravada pela primeira vez por Luizinho e Limeira, por volta de 1955. Assunta só...

Depois disso, vários artistas de renome no meio caipira, ou não, regravaram a canção: Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Daniel e Michel Teló são só alguns dos nomes que já fizeram sua versão da música. Tem até uma versão em inglês do violeiro Noel Andrade e a banda Blues Etílicos. Assunta só um trechinho dela aí...

Mas a versão que a tornou um clássico foi, sem dúvidas, a do Sérgio Reis, em seu álbum homônimo, também conhecido como O Menino da Gaita, que é o terceiro álbum de estúdio do cantor brasileiro, lançado em vinil no ano de 1973 pela RCA. Este disco marca o início da transição do artista para a música sertaneja, após o fim do movimento cultural e artístico da Jovem Guarda no final dos anos 60. A influência de Luiz Gonzaga permanece neste álbum e se mantém deste então.

Diferente de seus álbuns anteriores que abordavam apenas questões românticas e joviais em suas letras, Sérgio Reis mescla a temática amorosa com canções sobre a vida caipira e religião. O disco foi um grande sucesso e um marco para o sertanejo, graças a sucessos como "O Menino da Gaita" (versão em língua portuguesa de El Chico de la Armonica, originalmente gravada por Fernando Arbex) e "O Menino da Porteira", de Teddy Vieira e Luizinho, que como eu disse, se tornou um grande clássico na voz de Sérgio.


A história da música ainda rendeu dois filmes, um de 1976, com direção de Jeremias Moreira Filho e Elenco: Sergio Reis, Jofre Soares e Maria Viana. E a trama é a seguinte: O peão boiadeiro Diogo (Sérgio Reis) traz uma grande boiada para vender ao major Batista (Jofre Soares) dono da Fazenda Ouro Fino. Antes de sua chegada, o peão decide descansar no Sítio Remanso, de Octacílio Mendes (Jorge Karam), local onde ele conhece o menino da porteira Rodrigo (Márcio Costa), com quem simpatiza. Diogo acaba descobrindo que o major quer controlar todos os preços da região e ele, irritado, se volta contra o peão. A raiva só aumenta quando ele descobre que sua enteada Juliana (Maria Viana) se apaixona por Diogo e o poderoso declara guerra ao desafeto, que agora conta com a ajuda da população da região, que luta por justiça.

Em 2009, Jeremias Moreira Filho resolve fazer uma refilmagem, onde o cantor Daniel interpreta o peão Diogo.


Os filmes


O Menino da Porteira é um filme brasileiro de longa-metragem de 1976 dirigido por Jeremias Moreira Filho, inspirado na canção "O Menino da Porteira" de Teddy Vieira. O filme foi rodado em Araraquara e Borborema no estado de São Paulo e Ouro Fino em Minas Gerais e a trama é a seguinte: O peão boiadeiro Diogo (Sérgio Reis) traz uma grande boiada para vender ao major Batista (Jofre Soares) dono da Fazenda Ouro Fino. Antes de sua chegada, o peão decide descansar no Sítio Remanso, de Octacílio Mendes (Jorge Karam), local onde ele conhece o menino da porteira Rodrigo (Márcio Costa), com quem simpatiza. Diogo acaba descobrindo que o major quer controlar todos os preços da região e ele, irritado, se volta contra o peão. A raiva só aumenta quando ele descobre que sua enteada Juliana (Maria Viana) se apaixona por Diogo e o poderoso declara guerra ao desafeto, que agora conta com a ajuda da população da região, que luta por justiça.


Data de lançamento: 1976 (mundial)

Diretor: Jeremias Moreira Filho

Roteiro: Jeremias Moreira Filho



Em 2009, Jeremias Moreira Filho resolve fazer uma refilmagem, onde o cantor Daniel interpreta o peão Diogo.







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